O custo de vida em Brasília registrou o maior crescimento do país em junho. Segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados nesta sexta-feira (10/7) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a capital federal apresentou uma taxa de 0,52%. O resultado posiciona a região no topo da inflação entre as 16 regiões metropolitanas e municípios pesquisados.
Em nível nacional, o indicador mostrou uma variação bem menor, fechando em 0,16%. Apesar do avanço que colocou a cidade na liderança mensal, o índice de junho representou uma leve desaceleração em relação a maio, quando a taxa havia atingido 0,63%. Na comparação com junho de 2025, quando o índice foi de 0,12%, o cenário atual demonstra uma aceleração nos preços. Com o desempenho recente, Brasília passa a acumular uma alta de 3,05% no ano de 2026. Nos últimos 12 meses, o indicador soma um avanço de 4,52%.
Transportes puxam os preços para cima
Dos nove setores de produtos e serviços que são acompanhados pelo IBGE, seis apresentaram elevação de preços em Brasília durante o mês de junho. O principal responsável por pressionar o índice geral para cima foi o grupo de transportes, que teve uma alta de 1,83% e contribuiu com 0,41 ponto percentual do total medido. Esse avanço setorial foi fortemente impulsionado pelo encarecimento das passagens aéreas, que subiram 11,05%, e da gasolina, com alta de 1,74%.
Outros fatores também pesaram no orçamento dos motoristas e usuários de transporte na capital. O serviço de conserto de automóvel subiu 2,61%, os carros novos ficaram 0,89% mais caros e a tarifa de ônibus urbano avançou 3,52%. De acordo com a pesquisa, essa variação no transporte público ocorreu em razão da gratuidade oferecida aos domingos e feriados. Em contrapartida, os condutores encontraram alívio no seguro voluntário de veículo, que recuou 3,81%, no óleo diesel, com queda de 1,82%, e no etanol, que diminuiu 5,11%.
O setor de saúde e cuidados pessoais foi outro segmento a registrar alta, fechando o mês com avanço de 0,43%. Nesse grupo, destacaram-se os reajustes nos serviços de dentista, que subiram 2,85%, nos planos de saúde, com elevação de 0,36%, e nos perfumes, que encareceram 1,65%.
O comércio de vestuário acompanhou a tendência de alta e registrou crescimento de 0,83% nos preços em junho. As principais pressões vieram de itens do vestuário masculino e feminino, com destaque para camisa e camiseta masculina, que subiram 2,24%, e para os vestidos, com alta de 2,65%. No grupo de habitação, a variação foi de 0,27%, impulsionada principalmente pelo aumento de 3,72% na taxa de água e esgoto, refletindo o reajuste de 3,97% que passou a vigorar em Brasília no dia 1º de junho.
A maior força de contenção da inflação local veio do grupo de alimentação e bebidas, que registrou queda de 0,21% em junho. O recuo interrompeu uma sequência de três meses seguidos de alta no setor alimentício. As principais reduções de preço foram observadas no tomate, que caiu 7,43%, na carne de alcatra, com redução de 4,06%, no arroz, com queda de 3,86%, no óleo de soja, que recuou 4,17%, e no café moído, com retração de 1,88%. Nem todos os alimentos caíram, já que o feijão-carioca subiu 12,79%, o melão avançou 11,83% e a refeição fora de casa aumentou 0,61%.
Calculado pelo IBGE desde o ano de 1980, o IPCA funciona como o termômetro oficial da inflação no país. A pesquisa reflete o custo de vida para famílias que recebem de 1 a 40 salários-mínimos mensais. O levantamento abrange 10 regiões metropolitanas do Brasil, além de Brasília, Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.
Fonte Correio Braziliense
Foto: Minervino Júnior/CB/D.A.Press











