Quadrilha de falsos advogados que aplicava golpe no DF é desarticulada

Dois integrantes da organização criminosa foram presos. Conversas e documentos oficiais foram interceptados nos celulares

Na madrugada desta quarta-feira (8/7), duas pessoas foram presas em São Paulo por suspeita de integrarem uma quadrilha que aplicava golpe conhecido como Falso Advogado, no Distrito Federal. Ao todo, sete mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva foram cumpridos em cidades, como a capital paulista, São Caetano do Sul e Santos. Além disso, ordens de bloqueio de valores e bens da organização criminosa foram expedidas.

As investigações, que contaram com a colaboração mútua entre a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e a Polícia Civil de São Paulo (PCSP), interceptaram mensagens de integrantes da quadrilha, em que falavam abertamente da habilitação de chips telefônicos e da compra e venda de contas bancárias de terceiros (contas de laranjas) utilizadas para receber e movimentar o dinheiro obtido com os golpes. 

Segundo Rooney Teixeira Marcelo, advogado-chefe adjunto da 9ª DP (Lago Norte), os criminosos conseguiam dados verdadeiros de processos judiciais das vítimas e se passavam por representantes do Estado ou por escritórios de advocacia para aplicar os golpes. “Eles entram em contato com essas pessoas que possuem esses processos judiciais, correndo perante a Justiça e informam que essas pessoas teriam obtido uma decisão favorável e que tinham um dinheiro para levantar com a Justiça”, explicou. 

Os criminosos afirmavam que a vítima teria um dinheiro a receber e, para receber o valor, seria necessário realizar um pagamento via PIX ou transferência bancária. “Os criminosos falavam que a vítima tinha conseguido uma decisão favorável na Justiça”, afirmou o delegado Rooney Teixeira. “Após as vítimas realizarem o pagamento, os criminosos bloqueavam essas pessoas do WhatsApp e sumiam com dinheiro produto do crime”, acrescentou.

Segundo o delegado, apenas com um dos autores presos, foram identificados mais de 500 peças processuais e processos judiciais completos que foram obtidos de sistemas oficiais. Rooney destaca que em uma das conversas, um dos golpistas debochava das investigações, afirmando que “seria difícil acontecer algo com ele e que uma investigação seria muito complexa e pouco provável”. 

As duas pessoas presas vão responder pelos crimes de estelionato eletrônico, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Fonte Correio Braziliense
Foto: Divulgação/PCDF