‘Perfeitos Desconhecidos’: Filme com mais remakes da história ganha versão brasileira

Diretora Júlia Jordão fala a VEJA sobre adaptação de trama recordista sobre amigos que entram em vários conflitos

Recordista mundial do Guinness Book por ser o filme com maior número de remakes da história, Perfeitos Desconhecidos ganhou mais uma versão nos cinemas, desta vez brasileira. Lançado nesta quinta-feira, 11, o filme nacional é mais uma das adaptações inspiradas na trama italiana Perfetti Sconosciuti, dirigida por Paolo Genovese. A história acompanha um grupo de amigos que se reúnem e decidem jogar um jogo bastante arriscado: compartilhar ao vivo com o grupo toda e qualquer mensagem recebida no telefone. O que inicialmente parece uma brincadeira inofensiva acaba desencadeando uma série de intrigas e revelações surpreendentes entre os amigos. A versão brasileira é estrelada por Sheron Menezzes, Danton Mello, Fabrício Boliveira, Débora Lamm, Gisele Itié, Madu Almeida e Luigi Montez e dirigida por Júlia Jordão. Em entrevista a VEJA, a diretora conta detalhes da produção do remake — seu primeiro longa-metragem — e reflete sobre projetos anteriores para o streaming.

Perfeitos Desconhecidos é um filme recordista na quantidade de remakes feitos. Por que trazer essa trama para o Brasil agora? Quando recebi o convite da produtora Erica Iootty para fazer o filme, logo de cara vi que tinha uma grande possibilidade de humor, porque acredito que é possível reproduzir esse filme várias vezes, já que o mote é muito rico e estamos falando de relações. Todo mundo tem o grupo de amigos da infância, o filho que dá trabalho, etc. Então era um lugar que tinha um material muito potente para o humor e para a nossa tragicomédia. O que me instigou nessa produção foi a possibilidade de mudar, mantendo a premissa, mas mudando os segredos. Eu podia mudar o final, que era uma coisa que eu não gostava muito do original. Então, isso me interessou bastante.

Qual foi o maior desafio na produção desse longa-metragem? Esse é meu primeiro longa. É bastante curioso, porque eu tenho uma experiência de 15 anos dirigindo séries, e as pessoas falam a respeito do meu primeiro longa, mas na hora de trabalhar eu não tenho essa sensação. E isso foi bom, na verdade, porque eu trouxe toda a experiência que eu tinha da série para o filme, mas eu também percebi que no longa-metragem você não tem chance de errar. Todas as cenas tinham que ser “gol de bicicleta”, porque tem um espaço curto e a gente não pode perder o espectador em nenhum momento. Eu não quero que ninguém olhe para o celular por nem um segundo do filme, então esse foi um desafio grande. Me preocupei muito com a mise en scène e em como os personagens se movem no churrasco, pensando também nos posicionamentos de câmera.

Qual o principal diferencial dessa adaptação brasileira em relação ao roteiro original? Há várias. Primeiro, nós trocamos todos os segredos, porque não fazia o menor sentido fazer um filme que já foi feito 20 vezes e que a gente já saberia todos os spoilers. Eu não sairia de casa para ver um filme desse. Então, a gente trocou todos os segredos. Trouxemos dois personagens jovens para participar do churrasco e isso foi muito importante, porque trouxe uma dinâmica completamente diferente dos outros filmes. Também acrescentamos um casal de lésbicas — Luciana (Giselle Itié) e a Paula (Debora Lamm) —, o que se diferenciou bastante do roteiro original, que tinha como um dos segredos o fato de um personagem ser gay. Eu pensei: “Nós estamos em 2025, isso não pode ser mais um segredo”. Então, a gente quis que tivesse um casal homoafetivo de lésbicas. Acredito que todos esses pontos ajudaram a fazer um filme completamente diferente, sobretudo no final. Nenhuma das outras versões tem esse final, que é bem surpreendente para a franquia.

Como foi o processo de escolha do elenco? Foram longas conversas com a Erica Iootty e isso foi importante para mim como diretora. Para cada ator, nós pensamos em um tipo de “textura” que poderia ser adicionada, porque é um quebra-cabeça onde todos eles têm que funcionar juntos. Eles precisam trabalhar como um alinhamento planetário, então a gente foi montando esse quebra-cabeça e visualizando essa sintonia. E eu estou muito feliz, porque acho que cada um traz um gosto diferente e que funcionou super bem. E nós fizemos um trabalho muito legal antes de começar, no qual eu chamei cada um deles separadamente e contei a história do passado dos personagens que eu tinha inventado. Desde como a Carla (Sheron Menezzes) conheceu o Gabriel (Danton Mello), até como era a relação dela com a Paula, das amizades e como cada um se conheceu. Tudo isso contribuiu para que eles criassem um passado para esses personagens que passasse credibilidade e a sensação de que eles tinham muitos anos de história ali.

Como foi estar por trás de grandes projetos do streaming, como Julie e os Fantasmas, O Negócio e Cidade Invisível? Eu fico muito orgulhosa dos projetos que eu participei, e é curioso porque ali na hora é tão sofrido e difícil, que você só percebe a dimensão dos projetos depois. Alguns jovens me abordam e contam que cresceram assistindo Julie e os Fantasmas e isso é muito legal, eu fico bastante emocionada. Até hoje o público fala que gostou muito de O Negócio e Cidade Invisível e, para mim, é uma coisa que dá muito orgulho.

Por Jornal do Paranoá
Fonte Veja
Foto: Desirée do Valle/Divulgação