Com uma população urbana de 201.332 pessoas, de acordo com a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios Ampliada (PDAD-A) de 2024, Taguatinga é uma das regiões administrativas mais populosas do Distrito Federal. Além de suas características marcantes, como o forte comércio, ela carrega consigo problemas de cidade grande.
Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) mostram que as ocorrências de furtos a pedestres, por exemplo, têm aumentado nos últimos anos. Somente no primeiro semestre de 2026, foram 100 furtos, segundo a pasta.
Geraldo Nugoli, delegado aposentado que atuou na região de Taguatinga por mais de 30 anos, disse que depois que os comércios do centro fecharam, por causa das obras do Túnel Rei Pelé, os usuários de drogas tomaram conta do local. “E isso acaba acarretando no aumento dos roubos e, principalmente, dos furtos a pedestres. É impossível andar à noite por lá”, comentou.Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DF
Além disso, de acordo com o delegado, o consumo de drogas leva a outros crimes, como os furtos de forma geral. “Isso causa um incômodo muito grande na população, pois eles ocorrem todos os dias”, afirmou. Segundo ele, caso não seja feito algo, o centro de Taguatinga pode se tornar uma “cracolândia” no futuro.
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“Quando qualquer área apresenta sinais de abandono e infraestrutura precária, como falta de iluminação pública, por exemplo, a possibilidade de que ali se torne um abrigo para moradores em situação de rua, usuários de drogas, prostituição e delinquência é muito grande. A ausência ou precariedade do policiamento preventivo também colabora para esse cenário”, lamentou.
Para Nugoli, não há uma solução de curto prazo para a segurança pública da região. “É necessária a participação de todos os segmentos do Estado, principalmente da Educação. O trabalho de repressão feito pelas polícias Civil e Militar, sem que haja uma educação de valores — na família ou nas escolas — não surte efeito”, opinou.
Carência de investimentos
Ronaldo Seggiaro tem 80 anos — sendo 56 morados em Taguatinga. O pioneiro da região contou que, quando chegou à cidade, no final de 1970, ela era a mais vibrante do Distrito Federal.
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“Só que, infelizmente, a carência de investimentos públicos tem sido uma constante, e a cidade sofreu muito. Nossa saúde, por exemplo, enfrenta desafios severos, sobretudo pela falta de recursos humanos”, lamentou.
Segundo ele, Taguatinga perdeu muito em vitalidade e território, sem receber melhorias proporcionais. “A última grande obra pública estruturante na região foi o próprio HRT, há mais de 50 anos”, observou.
“O Túnel de Taguatinga (Rei Pelé), embora importante, atende primordialmente ao fluxo de Samambaia e Ceilândia, transformando nossa cidade em um mero ponto de passagem”, avaliou Ronaldo.
O pioneiro disse ainda que, ao caminhar pelas ruas da região, é possível observar o fechamento de diversos estabelecimentos comerciais e o declínio da cidade. “Nós, cidadãos e pioneiros, continuaremos lutando pela atenção que nossa cidade merece. Como costumo afirmar, Taguatinga exige e merece respeito”, opinou.
Transformação estrutural
Professor de economia da Universidade do Distrito Federal (UnDF), Riezo Almeida reforçou a fala de Ronaldo Seggiaro. De acordo com o especialista, Taguatinga continua sendo uma potência econômica.
“O que está acontecendo não é o desaparecimento da economia local, mas uma profunda transformação estrutural que tem sufocado o comerciante tradicional, gerando essa sensação de esvaziamento e queda nas vendas”, afirmou.
Assim como o pioneiro, Riezo apontou que o longo período de obras do Túnel de Taguatinga e do Boulevard afastou o consumidor do centro por anos.
O professor também ressaltou que a crônica falta de estacionamentos organizados e a saturação das vias internas fizeram com que o cliente preferisse o conforto e a conveniência dos grandes shoppings ou de centros comerciais planejados em outras cidades, como Águas Claras.
“Implementar soluções de estacionamento, como parcerias público-privadas para edifícios-garagem, por exemplo, é vital para Taguatinga. Se o consumidor não consegue parar o carro, ter um conforto, ele não compra na região”, observou.
Planejamento rigoroso
Outra importante incógnita em Taguatinga é o Centrad. O atual governo anunciou o início da ocupação do complexo, na tentativa de cortar gastos e diminuir o fluxo do trânsito para a região central do DF.
Mas será que, caso haja uma troca de gestão, o próximo governador vai continuar com a mudança? Especialista em gestão pública, o professor da Universidade de Brasília (UnB) Marilson Dantas disse que isso deverá representar um dos maiores desafios para a próxima gestão.
“Mais do que uma mudança física de órgãos públicos, trata-se de um processo que envolve questões jurídicas, administrativas, financeiras e operacionais, com impacto direto na eficiência da administração pública e na prestação dos serviços à população”, comentou.
Segundo ele, sua efetiva ocupação exigirá um planejamento rigoroso, coordenação entre dezenas de órgãos e elevados investimentos para adaptação dos espaços, migração de sistemas, infraestrutura tecnológica, transporte de equipamentos e reorganização do funcionamento administrativo.
“Independentemente de quem assuma o GDF, a ocupação do Centrad deverá exigir decisões estratégicas já nos primeiros meses de mandato. Mais do que concluir uma mudança física, o próximo governador terá a missão de demonstrar que o complexo pode, efetivamente, entregar aquilo que motivou sua criação: uma administração pública mais integrada, eficiente e transparente”, opinou.
Fonte Metrópoles
Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto











