Nikolas diz que esquerda não respeita ‘lugar de fala’ dos venezuelanos

Deputado federal afirmou que a esquerda brasileira tem tentado ditar como os venezuelanos devem reagir à prisão de Nicolás Maduro

Em um vídeo publicado neste domingo (4/1) em uma rede social, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) defendeu o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, que culminou na prisão do presidente Nicolás Maduro, e acusou a esquerda brasileira de não respeitar o “lugar de fala” dos venezuelanos.

O parlamentar afirma que “a esquerda quer ditar como o venezuelano deve reagir à prisão de Nicolás Maduro” e citou ter visto uma série de vídeos de cidadãos do país latino, dentro e fora da Venezuela, comemorando a deposição do ditador.

“A esquerda, que sempre diz defender a liberdade, agora está contrária às pessoas comemorarem por liberdade. E eles não estão felizes somente porque os Estados Unidos, ou o Trump, que foi lá e capturou Maduro, ou porque eles explodiram lá, Caracas”, disse o parlamentar, citando, na sequência, números de violação dos direitos humanos e pobreza que teriam sido provocados pela ditadura de Maduro.

Nikolas também rebateu um dos argumentos defendidos pela esquerda, de que os EUA invadiram a Venezuela apenas com o intuito de explorar o petróleo do país, dono das maiores reservas do planeta. Segundo o deputado, os norte-americanos não vão tirar o direito da população venezuelana de usufruir do petróleo, pois eles “nunca tiveram esse proveito”, já que “Nicolás Maduro nunca usou isso a favor do seu povo”.

Por fim, Nikolas também alfinetou o presidente Lula, repetindo um discurso adotado pela direita, incluindo o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL), de que Maduro teria coisas a delatar contra o petista.

“Deixa aos venezuelanos comemorarem. Deixa eles sentirem um pouco do gosto do primeiro passo da liberdade. E por fim, Maduro, a sua prisão já fez muito feliz os venezuelanos. E você lembra do seu melhor amigo, Lula? Pois é, está na hora de dedurar. E se você dedurar ele, pode ter certeza que vai ter uma grande festa aqui também dos brasileiros. ¡Viva la libertad!”, finalizou.

Posição oficial

Tanto institucionalmente quanto nos discursos, a esquerda brasileira tem defendido a soberania do povo venezuelano diante do ataque dos Estados Unidos, visto como uma violação ao direito internacional. Lula, em publicação numa rede social, afirmou que atacar países “é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”.

Oficialmente, o governo brasileiro emitiu uma nota conjunta com países aliados (México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha), na qual condenou o ataque norte-americano à Venezuela. O texto diz que “a situação na Venezuela deve ser resolvida exclusivamente por meios pacíficos” e que deve ser respeitada a vontade do povo venezuelano “em todas as suas expressões, sem ingerências externas e em conformidade com o direito internacional”.

Repercussão na esquerda

Nas redes sociais, políticos de esquerda evocaram o direito à soberania do povo venezuelano. A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) afirmou que “ninguém está defendendo Nicolás Maduro”. Segundo a parlamentar, a defesa da esquerda é de que “os EUA não têm direito de invadir outro país para roubar suas riquezas”, além de que “a autodeterminação e a soberania de qualquer país são inegociáveis”.

A também deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) afirmou, num vídeo, que “Nicolás Maduro é um ditador, mas não caiu por esse motivo”. Na visão da parlamentar, Trump “roubou” o petróleo da Venezuela, o que seria apenas o primeiro passo. “Amanhã tentarão roubar as terras raras brasileiras, alegando, como diz a ultradireita, que não há democracia no Brasil, ou então que as eleições foram fraudadas”, defendeu.

Nomes de dentro do governo Lula evitaram citar a figura de Maduro. A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, criticou o que chamou de “euforia” do governador paranaense Ratinho Júnior (PSD) e de bolsonaristas com a prisão do presidente venezuelano, e afirmou que “a invasão da Venezuela pelos EUA não tem nada a ver com defesa da democracia. Ao contrário, reflete o desejo de uma intervenção estrangeira no Brasil, contra a nossa democracia”.

O ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos, foi enfático ao dizer que “o ataque dos EUA à Venezuela é a ação imperialista mais grave que já vivenciamos” e que “nem na Guerra Fria houve uma ação militar direta dos EUA em nosso continente, ainda mais com sequestro de um chefe de Estado”.

Por Jornal do Paranoá
Fonte Correio Braziliense
Foto:  Reprodução/Redes sociais